sexta-feira, 3 de julho de 2009

O TEATRO DO REAL

Todos os ofuscamentos jurídicos, todo o tempo, todo o presente e imediato, toda noção de religião e to da crença, todo papo e toda escrita, todo olhar e todo tato, olfato, que são por si só criações, são elementos de uma peça que é a vida, a vida construída, ilusória e alienadora além de manipuladora, criação da máquina tribal. Está camuflada sobre todos os tapetes e peças de estofado. Você passa, senta, pisa, admira, mas não enxerga o teatro. É a criação mais bem feita da máquina tribal invisível, é sistema de manipulação e coerção quase tão imperceptível, que se esconde nas religiões, nos horários, no emprego, nos impostos. É a dominação do caos, amarrado e moldado, como barro.

Como personagem importante desse teatro está a imaginação, que é responsável pela manutenção de tudo que existe no lugar que existe, no espaço de tempo presente, pois antes do imediato e após o imediato temos o caos. O trabalho da máquina tribal ocorre em muitas dimensões, mas principalmente no imediato, que é o que o homem não faz ao viver de memórias ou de vidas pós-morte ao acreditar em deuses, sonhos, carros e casa própria, é viver pensando no que passou ou no que deverá ter um dia e não assimilar as questões imediatas, não viver o imediato, não só imaginar o real, mas criá-lo!

É necessário compreender que o real não é exterior e não é interior, ele é interiorização externalizada, para criar a história, a vida. Porém, nesse teatro os homens escreveriam sua história, criariam sua história sabendo que são personagens e não viveriam escondido atrás de máscaras de má-fé, iludidos como falsos libertos em busca da revolução das massas que nunca nada modificará, já que ainda não aprenderam a criar no imediato a sua própria peça.

Criamos o tempo todo nossa existência, nosso lócus, toda a nossa exteriorização, porém, é um real que absorvemos, aprendemos, não um real escrito com nossos punhos apesar de criá-los. Como em toda peça, temos um roteiro, uma cortina, um cenário. E esse cenário, essa cortina, tudo faz parte do roteiro que pensamos ter escrito, mas que na verdade nos foi dado. Agimos então, como personagens únicos, mas não percebemos no entanto que todos os nossos pensamentos e desejos são coletivos, que toda a história tem um mesmo fim, a não ser alguns muitos ou alguns poucos, que entre uma peça e outra cometem um erro na fala, ou perdem o script, ou muitas vezes morrem por culpa de um deus antes que a peça acabe. Talvez esse não seja tão feliz, porque a platéia que é a máquina tribal, a platéia escondida, sempre ri da atuação dos trabalhadores em cima de um palco invisível, com platéia invisível.

A linguagem do teatro pode se expressar e ser inventada por diversas maneiras, pois ela também é suporte para que se tenha noção de realidade.

Apesar de tudo isso, personagens e realidades estão diretamente relacionados, pois sem um o outro não existiria.E é justamente por isso que o real é o próprio teatro! Pois se não é o teatro que acontece não saberíamos o que ia acontecer, portanto a vida teatralizada e a vida real são 'a mesma'. Um a original, outra a cópia, sendo a trilha sonora talvez a diferença entre ambas. Pois a compreensão de cada personagem na realidade ou no teatro é a mesma.

Um comentário:

Paulo disse...

te amo meu amor