segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Involução

Então, depois de tudo, resta dizer que havia um antes. E nesse antes, antes passado, hoje particípio, faz-se presente em mim o que eu tenho sido.
O que se passa por dentro, só se passa porque é dentro. E passa, quando for fora.
E se não passa, passam muitos por mim.
Eis a involução.

E se quem com ferro fere, fere e não confere, ou confere mas não vê,
com ferro será aferido.

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

quinta-feira, 31 de maio de 2012

nostalgia

Não queria que estivesse ali parada, sem fazer com que nada sentisse. Sua indiferença o deixava agoniado, prestes a ter um ataque, esperando que no mínimo fizesse alguma coisa, mesmo que errada. Podia dizer "oi" ou  "esquece". Seria menos agonizante do que ter de observá-la com seus anéis em formatos de répteis, sentada num bar, sozinha. Entornava algumas cervejas e parecia pensar em algo engraçado. Às vezes sorria sozinha, mordia os lábios, nunca olhava pra baixo.Os cabelos amarrados. Um penteado esquisito, mas que as amigas dela adoravam. Pensando bem, aquilo devia ser um técnica muito boa, porque o soltar de suas madeichas era algo que mexia com qualquer que passasse. O celular tocou e ela fez que não viu. Mais um gole. As unhas criavam ritmos diferentes quando em contato com  a mesa de madeira, úmida, das gotas do copo. Cruzou e descruzou as pernas. Será que ela o tinha visto? Estava sozinha e não olhava pra porta, o que o fizera concluir que ela não esperava por alguém. Ouvia um rock antigo e às vezes se movia na cadeira. 

Colocava e tirava os sapatos, num movimento leve, e que fizera lembrar que ela tinha uma pinta no pé, e que também sentia cócegas. Observou que mudara a maquiagem e que nunca a tinha visto com aquele casaco de couro avermelhado. E só depois de lembrar que ela tinha uma pinta no pé, reparou que usava um salto tão fino, que atravessaria qualquer osso se fincado com especial força. Aquilo era uma arma, pensou, e riu sozinho. Enfim, ela nunca tinha usado aquilo. Começava a pensar que era assim mesmo, que algum tempo já havia se passado, e levado consigo os gestos antigos, bem como os vinis, as fotos, as cartas... 

Observou mais um pouco, conformando-se com as diferenças e com a indiferença. Enquanto isso ele pedia a saideira, porque a moça que ele esperava, sequer avisou por que não fora. 
Antes de sair, na porta do bar, ele olhou pra trás e vira que ela atendera o celular. 
Ela sorria, como ele sempre imaginou que ela sorria quando dizia sentir saudades.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Plangor

Abra esses olhos pra pele nua ao teu lado. Observe a maciez.
Refine seus sentidos examinando o que é formoso e te desperta libido.
Sinta prazeres.
Consiga deslizar pelo próprio suspiro, que bate ao pescoço
e retorna às próprias narinas.
Ofegante.
Crê naquilo que faz ao cerrar os olhos, pela textura, pelo sabor,
pela saliva e pelos odores que infestam  o ambiente.
Paredes e Lençóis.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

noiva

Naquela paisagem conhecida das telas, repleta de sorrisos, e fotos, e gente. Tudo que mais gosta.
Diante das estonteantes construções da cidade tomada pela água.
Das máscaras. Dos Muranos coloridos. Da história, dos filmes que ali se passaram.
Ali, diante dos sonhos de muitos outros,
aceitou ser feliz.

estrela

Não gosto de poemas frondosos, adjetivados por demais. Gosto da coisa sincera, do verso simples, dos jogos de palavras. Nada de comparações astrônomas. Mas não reclamarei de ser estrela um dia.

vontade de escrever

inerte a mão durante o tempo
devido ao não preenchimento
da caixa mestre do humano
que produz o pensamento

homem acéfalo não sabe
que faz aquilo que o outro quer
nada escreve, nada lê
Outro vai e dá no pé

pois escrevo minha gente
que ignorância não há,
tem música por aí
que é capaz de explicar

...tem gente que não é burra
tem preguiça de pensar!




sexta-feira, 13 de abril de 2012

mim, ti, nós

Pra dizer que não digo de mim
De mindinho.

Pra dizer que não digo de ti.
Tiara.

Pra dizer que não falo de nós.
Só Nós.

Que não desatam.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Vago

tantos sentimentos
que perpassam
que perduram
que se arrastam
que manifesto

tantos olhares perdidos
por outros
por muitos
por nada
ou por coisa qualquer

Onde estou,
enquanto você passa,
enquanto as coisas acontecem?

sábado, 29 de outubro de 2011

Se já deu rosas, agora dê margaridas!

Dentre alguns acontecimentos acontecidos há muitos anos, resolvi atacar de mulherzinha, com um textículo daqueles bem ridículos, mas que não deixam de ser verdadeiros e até engraçados por vezes. Comecemos então.
Sou mulher e fazendo uma pesquisa entre as mulheres amigas, concluí que é fato, por isso escrevo.

Queridos amigos homens, se você tem namorada, tenha certeza que um dia, mesmo que sem querer, ela vai ver aquela mensagem no seu celular, aquele email que você recebeu 4 anos antes de vocês começarem a namorar, e depois de lê-lo, também vai ler o que você respondeu, aquela foto indecente das outras, as palavras (falsas ou não) pra todas as piriguetes e também para asa senhoritas que você comeu namorou, ficou, beijou, ou deixou bem claro que queria.
Quando esse momento chegar, ela vai espernear, ficar puta, nunca mais vai querer que você a chame pelo apelido que costuma chamar, porque nos emails antigos chamava a ex assim. Não vai mais querer comer sorvete com brigadeiro com você depois de ter lido várias mensagens no celular da outra lembrando de comer sorvete com brigadeiro com você. Nunca mais vai tirar uma foto caliente pra você, especialmente depois de ter visto dezenas de emails de sacanagem e fotos das outras peladas ou quase destinadas a você. Nunca mais vai acreditar que você a acha realmente bonita, especialmente porque enquanto você completavam um ano de namoro, você respodia email de outra a chamando de belíssima e dizendo que sentia saudades.
Não vá achando que ela simplesmente vai te perguntar e contar tudo que está sentindo de uma vez. Ah, mas não vai mesmo. Primeiro ela vai te chamar como alguma outra chamava, uma indireta básica. Depois, vai perguntar como não quer nada: "Alguém por acaso já fez 'tal coisa' com você?". Tendo certeza da resposta. Se você mentir, vai ver uma mulher braba. Ela vai perguntar em qual das suas amigas você já teve interesse. Se você mentir, ela vai saber, e vai ficar triste. E assim vai, sabendo, até um dia contar que viu tudo, que leu tudo, que sabe de tudo... Pra você simplesmente não falar nada. Afinal, ela tá certa.

Mas, por que as mulheres ficam com tanto ciúme de um dito passado? Injusto não?
(Não no caso do email de quase completado um ano de namoro!)

Vou tentar explicar.
Vocês estão juntos há tanto tempo. Às vezes nem fazem planos, mas são namorados de verdade. E aí, de repente a mulher descobre que das coisas que você já fez com ela, pra ela e por ela, já foram feitas para dezenas. Seja mandar flores, dar um livro, cantar uma música, mandar uma poesia, um vídeo. Tudo que ela está recebendo, alguém já recebeu. E se você diz que a que recebeu não é especial, porque a atual seria? Se andas repetindo as mesmas ações? Porque se for assim, é um famoso "Vai que Cola" sempre. E quando a mulher te quer meu caro, ela VAI e COLA. 
Assim como colam todas as suas ações pretéritas. E essas coisas, mulher não esquece.
Portanto, fica a dica:
Faça coisas novas. Se já deu rosas, dê agora margaridas!

Mulheres, mesmo sendo iludidas e enganadas muitas vezes, adoram sentir que são únicas.